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Honrando os pergaminhos onde foi escrito
Postado por Armand Spencer em 7th Agosto 2007 @ 21:02 em Colunas | 4 Comentários
Saudações amigos do Aurores.com!
Faz algum tempo desde minha última coluna e vou dizer porque: eu havia escrito uma coluna de análise de personagens que estava para ser publicada, mas tudo mudou ao assistir “Harry Potter e a Ordem da Fênix”.
Mas não vamos colocar os testrálios na frente da carruagem, pois preciso fazer uma breve introdução sobre cinema:
Desde a criação da sétima arte os grandes estúdios fazem adaptações de qualidade variável de obras literárias. Essa variação de qualidade me leva a dividir as adaptações em três tipos:
LEVEMENTE BASEADO: Esse estilo é bem comum e é o que mais agrada aos que não conhecem a obra literária em que se baseiam os longas e mais desagrada os fãs fiéis e fervorosos da obra em questão. Exemplos desse estilo são abundantes como “A máquina do tempo” (2002), que destroçou as páginas do belíssimo livro de H.G. Wells.
FILMAGEM DO CLIMA: São pouquíssimos diretores que conseguem produzir obras que se encaixem nessa categoria, que visa reproduzir o clima do livro em que se baseia e não os fatos exatamente como ocorrem no livro. Um dos exemplos de adaptação bem sucedida que se encaixa nessa categoria é “O Planeta dos Macacos” (1968) que se baseia no romance francês “La Planète des singes”.
FILMAGEM DAS PÁGINAS : Todo fã xiita acredita que este é o tipo de adaptação ideal para seu livro favorito. Nessa categoria estão aqueles filmes em que o roteiro parece ser copiado página-a-página da obra original. O que ocorre é que muitas vezes esse tipo de filme acaba ficando sem tempero, sem a emoção do cinema. Nessa categoria eu coloco “Harry Potter e a Pedra Filosofal”(2001).
Na minha análise crítica, “Harry Potter e a Pedra Filosofal” e “Harry Potter e a Câmara Secreta”, apesar de serem totalmente sem tempero por se encaixarem na última categoria, eram os melhores filmes da franquia. “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, onde faltam muitos elementos que me fizeram amar a série de livros, se encaixa na primeira categoria. Com “Harry Potter e o Cálice de Fogo” temos um filme da segunda categoria citada (Filmagem do Clima), que foi um filme muito bem feito, mas com criações demais por parte dos roteiristas.
Eu já havia desistido de assistir, algum dia, um filme perfeito de Harry Potter. Fui ao cinema no dia 14/07, num horário onde não haveria fãs contentes e esperançosos. Extremamente carrancudo e destinado a odiar com todas as minhas forças a adaptação de um dos livros que mais me agradam, comprei meu ingresso, minha pipoquinha e meu refrigerante, e me sentei na sala de cinema.
Luzes apagadas, os trailers já acabaram. Começa o 5º filme da série. Deus do céu! Não pude acreditar no espetáculo visual que se desenvolvia diante dos meus olhos.
A interpretação dos atores, os cenários, os diálogos, a música (a melhor trilha sonora dos filmes de Harry até agora), enfim: Tudo como minha mente insana havia imaginado naquelas férias em que me deleitei pela primeira vez com a leitura de “Harry Potter e a Ordem da Fênix”.
Fiquei tão maravilhado que, assim como quando assisti “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, quando os personagens estavam indo para Hogwarts, eu já estava completamente fisgado. Tenho a impressão de que a missão que foi designada para David Yates (diretor), bem como para toda a equipe realizadora, foi de restaurar a Honra da série “Harry Potter” nos cinemas. Digo isso porque, não só fizeram uma adaptação excelente como também, por meio de flashbacks, retomaram pontos importantes dos outros episódios que já haviam sido filmados. No que compete à revigorar o universo cinematográfico de Harry e abrir caminho para os dois últimos filmes, Yates repaginou algumas caracterizações que os diretores anteriores tinham tentado reproduzir: os dementadores estão bem mais dark side, bem mais podres e sedentos de emoções alheias. Sabe aqueles trajes KKK (Ku Klux Klan) com máscaras super “filme B” que os comensais ostentavam em CdF? Pois é, eles sumiram e deram lugar à um manto negro que cobre o que parece ser uma armadura bruxa (só poderei afirmar depois de assistir de novo) e uma máscara de metal que lembra muito o Dr. Doom clássico (Quarteto fantástico - o gibi, não o filme).
Aos que me julgavam um inimigo de Sir Michael Gambon, digo que ele representou Albus Dumbledore com maestria e dignidade características. Altivo como um rei ele defendeu Harry no julgamento e na batalha no ministério. A dupla Sir Gambon e Daniel Radcliffe conseguiu transmitir com fidelidade a sensação de incomodo e angústia que o leitor sente quando tem o livro em mãos.
Se eu fosse falar de cada ator e seu fantástico desempenho, temo que não pararia de escrever nunca, por isso farei apenas breves comentários.
Fora o trio(Emma, Ruppert e Daniel) que superou os próprios limites, destaco:
O sempre excelente Garry Oldman, por um Sirius Black digno e valente; a jovem Evanna Lynch que deu vida e personalidade singular a excêntrica Luna Lovegood e, por fim, Bonnie Wright que com pequenas expressões faciais abre caminho para os fatos que se desenrolam em “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”.
Ao quinto filme da série só tenho elogios. Posso dizer que, juntamente com a trilogia cinematográfica “O Senhor dos Anéis”, “Harry Potter e a Ordem da Fênix” me força a criar uma quarta categoria(que é uma junção das categorias “Filmagem do Clima” e “Filmagem das Páginas”) de adaptações de Livros para o cinema: “Obras Primas”.
Para os que ainda não viram o filme, recomendo que parem aqui.
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Até a próxima coluna!
Se você já viu o filme, ou é muito curioso selecione o texto abaixo:
Antes de encerrar gostaria de fazer uma ressalva. Como herança de minha paixão eterna e imortal por “Star Wars”, adoro quando os criadores utilizam diversos meios para dar pequenas extensões às suas obras. Quem for atento notará que, com a batalha no Ministério, JK e Yates poem fim a polêmica “Sirius volta ou não???”, pois Bellatrix lança em Sirius, não o feitiço estuporante do livro, mas a maldição da morte “Avada Kedavra”, dando-nos a razoável certeza de que Black passou dessa para a melhor
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