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Bernard Cornwell Wins!

Annales Cambriae, uma cronologia galesa datada do século X, registra o ano de 537 D.C. como o ano da morte de Artur e Medraut na Batalha de Camlann.
Em 1963, a Disney lança The Sword on the Stone (A Espada era a Lei), animação baseada na infância de um menino chamado Artur que estaria destinado ao reinado.
32 anos após, ganhei o VHS do filme que assisti até a exaustão durante toda minha infância. Talvez A Espada era a Lei nunca tenha sido um dos clássicos da Disney mais notórios, mas ele tinha um lugar muito especial na minha prateleira.
Passaram-se 6 anos até que meu interesse pela lenda do Rei Artur aflorasse novamente. Eu ainda não havia completado 12 anos e passava mais um intervalo das aulas na biblioteca (o que era obrigatório pra mim – uma vez por semana), quando me deparei com o primeiro volume da série As Brumas de Avalon (A Senhora da Magia), escondido no meio de tantos outros títulos que a principio pareciam mais interessantes.
Acabei dando uma chance para o exemplar gasto e durante uma semana, conheci Avalon através dos olhos de Morgana (ou Morgan, Le Fay) e toda a história do Rei Artur. Foi como se eu tivesse lido um epílogo dos meus sonhos de infância (devo admitir que com uma dose não esperada de sedução). Com o tempo li os livros restantes da série e desde então, a imagem que Marion Zimmer Bradley havia desenhado daqueles personagens ficara presa em algum lugar da minha mente.
Mais 4 anos se passaram e foi com um pouco de relutância que ouvi meu namorado falar sobre um livro que estava lendo que narrava a lenda de Artur. O que me incomodava tanto era o fato que o livro destruía minha parte favorita da lenda: Artur não era rei e nunca fora. Artur era simplesmente um bastardo do Rei Uther.
Resolvi atravessar meu preconceito e dei uma chance ao Rei do Inverno (volume 1 das crônicas arturianas) de Bernard Cornwell. Hoje, estou marchando para o desfecho do primeiro livro e tenho que dar o braço a torcer: Bernard Cornwell wins!
Sim, ele literalmente estuprou todas as boas memórias que eu guardei durante um tempo e massacrou todas as fantasias relacionadas com Avalon, Excalibur, Merlin e todos os outros elementos que formavam a lenda em minha cabeça.


Os personagens criados por Bernard Cornwell são incrivelmente criativos e muito mais viáveis (historicamente falando) do que a fantasia criada por Marion Zimmer Bradley (e anteriormente pela Disney). É impossível não se gostar do Artur de Cornwell, ele é um homem, um guerreiro que com sua gentileza e coragem continua guardando um espaço intacto no meu coração. Outra imagem que não foi destruída em minha mente foi a da Guinevere: ela ainda é a mesma insossa de todos esses anos (usando um linguajar bem educado).
Por outro lado, temos uma Morgana deformada e pouco amada que figura como coadjuvante na maior parte do tempo. O narrador da história (sim, esqueça toda a mística feminina que As Brumas de Avalon criou) é Derfel, um saxão que acompanha toda a vida de Artur e nos conta os detalhes. Viviane do Lago é Nimue. Sim, elas são a mesma pessoa (o que segundo as lendas é o certo – Viviane sempre foi conhecida por muitos nomes), o resto do clichê segue: amante de Merlin, sua aprendiz e um tanto excêntrica para sua pouca idade no primeiro livro. Lancelot não é filho de Viviane do Lago e não é um guerreiro bravo e destemido coisa nenhuma (é verdade garotas: o nosso grande herói não passa de uma farsa), ele só pagava muito bem aos bardos para que cantassem sobre sua vitória. Merlin é um druida, não tem uma varinha mágica como em A Espada era a Lei (e também não tem nenhum Arquimedes), porém, ele ainda continua o mesmo personagem de sempre (meio ranzinza e completamente genial). Um dos detalhes pelo qual sou mais grata é o fato de Mordred não ser o filho de Morgana e Artur (incesto medieval é bem perturbador, okay?) e sim de Mordred (filho legítimo de Uther) e Norweena.

Digamos que Bernard Cornwell se baseia muito em pesquisas históricas e não está muito preocupado com a ascensão e queda de Artur. Há que se concordar que o autor estava realmente preocupado em produzir um romance histórico e digamos que ele conseguiu seu feito com êxito.
Sua narração é de tamanha genialidade (toma essa J.R.R. Tolkien) que muitas vezes você sentirá o cheiro de sangue em algumas páginas, o presságio da morte e a glória dos guerreiros daquela época.

4 Comments comentários para "Bernard Cornwell Wins!"

Poliana Cunha falou...

Você tem toda razão sobre o Cornewll. É um grande escritor. Já li duas trilogias. Primeira A do Rei Artur e a Segunda éa Trilogica A Busca do Graal (o arqueiro, o andarilho e o herege). É fantastico como ele descreve a guerra dos 100 anos entre Inglaterra e França mantendo ao mesmo tempo a narrativa história e o seu romance.
Ele é maravilhoso!! Recomendo a leitura

  • Abril 17th, 2007 as 5:16 pm
Lisse falou...

Putz, lá se foi a Morgana, Le Fay… Mas realmente Cornewll tem muito ‘a manha’. A forma como ele narra as passagens históricas sem deixar de entranhá-las ao romance é perfeito.

Mas eu ainda prefiro As brumas. ^^

  • Abril 24th, 2007 as 11:07 am
Samanta falou...

Desculpe, estar comentando aqui um outro tema, mas não poderia deixar de comentar sobre um livro que me atraiu muito a atenção.
Comprei esse livro no site da própria autora www.morganadark.com.br . É sua autobiografia, chama-se Feitiço de Eros, ela conta tudo que passou, desde preconceitos, dificuldades, humilhações, prazeres, amores, até chegar a ser reconhecida como a Rainha dos filmes Eróticos no Brasil. Primeira atriz do gênero a escrever um livro no Brasil, muito linda e culta, que passou por muitas coisas, para alcançar um sonho. Comecei a ler o livro e não parei mais, são 197 páginas muito envolventes. Segundo a autora o livro estará a venda nas livrarias, na segunda quinzena de Janeiro. Podem comprar que não vão se arrepender.
Obrigado!!!

  • Janeiro 2nd, 2008 as 4:25 pm
Cristiano falou...

Perante tais comentarios não teria palavras para lhe contar o que foi ler As Cronicas de Arthur… Eu sou antigo adorador e estidioso das lendas arturianas e digo que nunca havia lido uma história completa… Pois todas os livros ou pesquisas que li nunca tinha analizado tanto como esse livro… Ele soube despertar minha atenção para ele não sei talvez fosse as verdades que ele trampos para o conhecimento aarturiano… Não duvido que se fosse feito um filme da trilogia seria campeão de bilheteria no mundo todo… Sabe de uma coisa eu sou roterista talves eu mededique em escrever um roteiro fiel ao livro… Talvez possa me ajudar a encontrar o Cornwell assim dialogando realizando o melhor filme já esperado do grande Arthur… Deve-se dizer a verde de uma vez por todas… Mande um recado para o meu e-mail(Cristiano_de_moura_pereira@yahoo.com.br) e vamos converçar se tiver mais pesoas intereças mande e-mail assim eu entrarei em contato com vocês.

  • Setembro 30th, 2008 as 3:19 pm

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